Há muito tempo atrás, na época dos 8 Bits, a Konami em seus primórdios lançava vários títulos para o sistema MSX (antes de migrar para o NES) e muitos de seus títulos famosos estrearam nessa plataforma, como Metal Gear, Contra (outra série responsável pelo seu sucesso) e claro, Castlevania.
Já naquela época a Konami era referência para games de boa qualidade.
Com o Castlevania para MSX (com o nome de Vampire Killer), ela conseguiu
seu grande trunfo, conseguindo estabelecer sua reconhecida fama. Não
posso deixar de mencionar que foi nesse jogo que Michiru Yamane
(compositora das músicas dos games da série) mostrou seu talento como
compositora, criando músicas que seriam obras-primas desde o primeiro
momento em que se ouve, como a famosa “Vampire Killer”, que se tornaria um clássico na série.
Mesmo após 10 anos depois de seu lançamento, Symphony of the Night
ainda é considerado por muitos como o melhor jogo da série de todos os
tempos (sem dizer um dos melhores do Playstation). Nem mesmo com a sua
entrada para os games 3D, com os desastrosos jogos para Nintendo 64,
conseguiu fazer que os fãs mudassem de idéia. O que mais se aproximou da qualidade de SOTN foi o
“Aria of Sorrow”, para GBA, que é praticamente um sequência da grande
obra-prima da Konami.
SOTN (no Japão conhecido como Akumajo Dracula X – Gekka no Yasokyoku,
que significa “Noturno ao Luar”) marcou uma geração de jogadores da era
PS. Lançado em 1997, o game era a perfeição divina que todo gamemaníaco
gostaria de jogar. Apresentava visuais fantásticos e ornamentados,
retratando a beleza gótica com gráficos fantásticos de uma forma nunca
vista antes na série ou em qualquer outro game. E aliado a isso, ainda
contava com uma soberba trilha sonora de cair o queixo, jogabilidade
animalesca, a trama com muitos mistérios a serem descobertos e uma
inovação e tanto na série, que desde então seguia basicamente o mesmo
estilo de plataforma que foi criado desde a época do MSX, mudando agora
mais para o estilo rpg/ação. SOTN foi uma revolução para a série apesar
de ainda usar o saudoso estilo 2D e plataforma, numa época em que o 3D
começava a dominar o mercado de videogame. Uma ousadia e tanto que só a
Konami poderia levar adiante, e não deu outro: SOTN virou sucesso
absoluto e foi um dos maiores hits da empresa.
Maria Renard, que haviam sido sequestradas pelo dentuço sanguinário, que ressuscita de cem em cem anos, trazendo consigo todo o seu reino de destruição e terror (todos esses eventos são mostrados no excelente Dracula X – Rondo of Blood, do PC-Engine – não confundir com o remake piorado para Super Nes).
SOTN começa desse ponto, com Richter
enfrentando Dracula em seu castelo (que é a última fase do Dracula X
Rondo of Blood para PCE). Esse é apenas um préludio para te preparar
para a verdadeira história do jogo. Ficamos sabendo que após 4 anos
depois da batalha de Richter com Dracula, o caçador de vampiros
desaparece, em 1792 e o castelo de Dracula reaparece. Annet, sua esposa e
a mesma que já estivera nas garras de Dracula, começa a se preocupar
com o repentino desaparecimento. Sua irmã mais nova, Maria,
valendo-se de seus poderes sobre os animais e a natureza, decide então
retornar novamente ao castelo de Conde Dracula, seguindo rumores que
Richter estaria lá. É quando ela conhece um homem estranho e misterioso,
de pele pálida e longos cabelos platinados. Ele dizia estar em uma
missão: a de destruir a ameaça que se aproximava da humanidade. E sem
saber, Maria se apaixona pelo filho de Dracula, Alucard, que certa vez já lutara ao lado dos Belmont para banir seu pai (no Castlevania 3 para Nintendinho).
Alucard, que acreditava ter destruído seu pai de uma vez por todas com a ajuda de Trevor, Sypha e Grant
(todos personagens do Castlevania III para Nes), portanto acabando
assim com a sua raça maldita, da qual ele pensava ser o último
sobrevivente, colocou-se a hibernar em um sono eterno (o final de
Castlevania III). No entanto, Alucard voltou a acordar devido a uma
alteração de equilíbrio entre as forças do bem e do mal, causadas pelo
conjurador Shaft (que apareceu em Dracula X e que pelo jeito sobreviveu).
Assim, tanto Alucard como Maria, lutam,
cada um a seu modo, dentro do castelo de Dracula, até chegarem à
terrivel conclusão de que o responsável pelo ressuscitamento de Dracula
não era outro senão o próprio Richter Belmont, que se
auto-proclamou o senhor do castelo. Entre os seus motivos estava a idéia
da incapacidade de conceber que seu destino fora selado ao vencer
Dracula, e que então todos os Belmont estariam fadados a morrer passando
por uma vida normal, mesmo após séculos de treinamento e preparação. Ou
seja, ele planejava trazer Dracula de volta pois estava com tédio da
sua vida pacata de homem casado, e sentia falta das emoções e
adrenalinas de ser um caçador de vampiros, desse modo ele passaria a
travar uma luta eterna contra o seu arqui-inimigo, não terminando sua
vida como um mero mortal. Entretanto, por trás disso tudo estava Shaft, o conjurador que usava Richter como fachada para seu terrível plano de trazer novamente o seu senhor.
SOTN possui gráficos belíssimos, provando
que um jogo para ter sucesso não precisa ser em 3D, como a maioria dos
jogos da época (e atuais). Os cenários de fundos estão mais detalhados
do que nunca e possuem uma beleza suprema, todos compostos de sprites 2D
maravilhosamente ilustrados, muito detalhados e coloridos com tons
sombrios. Vários efeitos de luz, scrolling e profundidade são usados de
formas maravilhosas, como os efeitos usados nas magias e ataques dos
inimigos, é tudo muito bem feito. A Konami fez um excelente trabalho de
pesquisa ao fazer a ambientação medieval em que se passa o game, durante
o século XVIII, com os cenários, as roupas dos personagens e as músicas góticas que te remetem imediatamente ao jogo e à epoca.
O jogo possui fases muito mais longas que
os anteriores, com vários labirintos e quebra-cabeças para se resolver
pelo caminho. Os elementos de RPG estão presentes, pois Alucard
precisará subir de level para ficar mais forte e encontrar objetos
importantes durante o jogo. Alucard passará por vários ambientes dentro
do castelo como a biblioteca, a galeria de arte, as catacumbas, a
capela, o coliseum e os jardins do lado de fora do castelo. Cada
ambiente é ricamente detalhado e a sua presença no jogo se encaixa
perfeitamente com o visual e a história do jogo, deixando o game ainda
mais cativante.
Os inimigos são bem variados, com todos
os tipos de zombies e monstros imagináveis, mas quem rouba as cenas
mesmo são os chefes, que estão em uma quantidade brutal se comparada aos
jogos anteriores. Muito deles já clássicos da série, como a Medusa, a
Morte, o Minotauro, a Múmia, o Gárgula, o Lobisomen, entre outros, todos
horripilantes e prontos para lhe arrancar a cabeça. Além disso possui
chefes novos, como a Scylla e o Grifo (ambos seres mitólogicos), além de
apresentar as versões zombies de Trevor Belmont, Grant Danust e Syfa
Velnades, todos personagens de Castlevania 3 e Galamoth, o boss final do
jogo paródia de Castlevania: “Boku wa Dracula-kun” ou “Kid Dracula” (no
qual jogamos com um Alucard criança para Game Boy). Alguns chefes
possuem um visual bem impressionante e ocupam boa parte da tela.
Todos os jogos da série possuem boas trilhas sonoras, mas SOTN extrapolou, é simplesmente algo de outro mundo. Michiru Yamane
se superou com esse game criando verdadeiras obras primas orquestradas
com composições mais góticas do que em qualquer outro jogo da série. A
música é bem variada e certamente você não vai cansar de escuta-las,
todas retratando o século XVIII com perfeição. Para isso foi usado
violinos, órgãos, pianos, violoncelos e vocais tipo igreja.
Além das músicas temos os efeitos
sonoros, que também estão perfeitos. Poderemos escutar os gritos de
Alucard, os gritos e urros dos monstros e dos inimigos quando morrem. O
som das magias e armas também está muito bom, tudo muito bem feito e de
ótima qualidade.
Temos também as vozes dos personagens,
que estão excelentes (se você estiver jogando a versão japonesa) cada
personagem sendo muito bem interpretado com a entonação de voz perfeita
criando o clima ideal, como é o caso de Dracula, que possui uma voz
poderosa, que o personagem necessita. As conversas entre os personagens
está nítida e perfeita. Porém, se você estiver jogando a versão
americana, poderá se decepcionar com a dublagem, que está muito fraca e
muito mal interpretada. Além disso alguns diálogos foram cortados da
versão japonesa, como a narração do ínico do jogo e uma das músicas
cantadas pelas fadas.
Jogabilidade
E tudo isso não adiantaria nada se o
controle sobre o Alucard não fosse perfeito. E felizmente, como o resto
do jogo, a jogabilidade é perfeita e eficiente, todos os comandos
respondem muito bem. Não existem fases, mas zonas do castelo, que por
vezes se encontram bloqueadas, sendo necessário certo item para abri-las
e continuar em frente. A ação de SOTN não é nada linear e você poderá
percorrer as zonas do castelo na ordem que desejar. Você encontrará pelo
caminho lugares para salvar sua posição no jogo e que também restauram
sua energia.
Além da possibilidade de usar diversas
armas espalhadas pelo jogo, Alucard também poderá fazer uso de magias
através de combinações de botões tal qual usados em jogos de luta. Isso,
além de adicionar mais diversão e desafio ao game, trás também um
“sangue novo” ao bom e velho estilo plataforma.
A dificuldade do game não está nos chefes
ou inimigos e sim nos dois enormes castelos que devem ser percorridos e
explorados. Jogadores que não possuam muita experiência em games de
exploração podem ficar perdidos quando precisarem procurar por itens
para acessar certas áreas do castelo, que possui muitos segredos (os
segredos do Pentagono são fichinhas se comparados com os do SOTN) e que
você provavelmente não vai descobrir jogando uma única vez. Ah sim, o
jogo possui 4 finais diferentes, o que vai valer muitas noites em claro
para vê-las.
Chegando ao segundo castelo, que é
invertido, você terá muito mais chefes, muito mais itens (os mais
poderosos se encontram aqui) e várias áreas novas para explorar. Além de
Alucard, você poderá jogar com Richter (depois que terminar o game uma
vez), que tem uma história diferente e o sistema de jogo se assemelha e
muito aos Castlevanias anteriores, deixando os elementos de RPG de lado.
Ah sim, Alucard pode ainda se transformar
em morcego, lobo e neblina, todos essenciais para que se consiga
avançar no jogo, tendo que usar cada um em determinadas partes do jogo,
onde forem necessárias e para uma exploração melhor do castelo.
Uma pequena curiosidade que pode interessar aos fãs de J-Rock: a famosa banda japonesa de rock Malice Mizer possui uma música chamada
Gekka no Yasokyoku, e no video cilpe dessa música, o ex-cantor da banda Gackt, aparece vestido como Alucard. Além disso parece que no Japão foi lançado um mangá oficial de SOTN, que é fiel à história e possui desenhos maravilhosos.
Gekka no Yasokyoku, e no video cilpe dessa música, o ex-cantor da banda Gackt, aparece vestido como Alucard. Além disso parece que no Japão foi lançado um mangá oficial de SOTN, que é fiel à história e possui desenhos maravilhosos.
Nome: Castlevania – Symphony of the NightConclusão: Em uma era em que os gráficos 3D reinavam supremos e os 2D eram ignorados pelas maioria das softhouses, a Konami correu um grande risco escolhendo o estilo 2D para seu então novo Castlevania. Mas ela acertou em cheio e ganhou a aprovação de todos os gamers do mundo, e Castlevania SOTN é obrigatório para qualquer pessoa que goste de games. Quando foi lançado conquistou uma legião de fãs em todo o mundo com o seu enredo maravilhosamente envolvente, com a profundidade histórica e psicológica dos personagens e os gráficos e músicas maravilhosos, juntamente com uma jogabilidade perfeita. Elogios é o que não faltam a esse game. Se você nunca jogou SOTN, certamente o melhor jogo de plataforma 2D já lançado, não sabe o que está perdendo.
Sistema: PlayStation
Desenvolvedora: Konami
Ano de Lançamento: 1997
Nota da análise: 10/10
+ Mistura RPG com ação de forma brilhante
+ Uso do estilo 2D, músicas e gráficos sensacionais
- O jogo é perfeito, não possui nenhum contra
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